(...) vinham dos mais distantes extremos da vida, isto é espantoso, pensar que jamais teriam esbarrado um no outro, a nao ser atravessando de uma ponta à outra o universo, e no entanto nem sequer tiveram de se procurar, isto é inacreditàvel, e toda a dificuldade fora so conhecer-se e reconhecer-se, coisa de um instante, o primeiro olhar e jà sabiam, esta é a maravilha (...)"

 

Oceano Mar - Alessandro Baricco



Escrito por Elaine Javorski às 06h46
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Eu preciso de três dias pra me recuperar de você. No mínimo. A ferida sempre abre e sangra. Passo noites tentando lembrar das palavras que você me disse pra encontrar nelas alguma "bandeira", como diz a música. Mas não existe e isso só me confunde ainda mais. Isso dói tão profundamente que talvez você nem conheça essa sensação. É uma dor que sufoca, que limita até meus atos. Fico presa a um passado que deveria ter se apagado há muito tempo da minha memória. Isso insiste em voltar, insiste em renascer do nada. Eu que pensava que isso não voltaria a acontecer. Me vejo outra vez nas tuas mãos. Como um fantoche. Escuto as músicas de antigamente e elas já não dizem nada sobre o que passa agora. É tudo novo, menos os sentimentos. Eu continuo a mesma, disposta a tentar. Você, disposto a fugir.



Escrito por Elaine Javorski às 22h09
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Procuro você por toda parte. Espero até que você apareça nesse mundo que nos liga, frio e impessoal. Passo horas tentando descobrir qualquer coisa sobre teus dias. Esse silêncio me destrói. Queria te contar que hoje ví um filme que me fez repensar a vida. E que todos os dias procuro em alguma música as palavras que estão entaladas na minha boca. Que aqui faz frio e o pôr do sol do outono é cada dia mais bonito. Que estou perdida sem saber o que fazer quando viajar. Procurando respostas para algumas perguntas. Já deixei de lado o entusiasmo que antes preenchia meus dias. Aqueles onde eu sonhava com o encontro na praia. As frases ensaiadas para te dizer. Agora, nada mais faz sentido. Já não adormeço fazendo planos bobos. Já não sonho com teu abraço. Fico apenas à espera de que você me diga qualquer coisa. Que acabe de vez com tudo isso para que eu possa te esquecer outra vez.



Escrito por Elaine Javorski às 18h15
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E a lua vai se tornando mais branca. Perde aquela imponência para ficar como nas outras noites. No pensamento, um menino pequeno corre pela casa com uma caixa de pizza, brincando de pega-pega. No ambiente, outras duas pessoas diferentes que se conheceram no meio da vida, e que nunca se esqueceram uma da outra. Tiveram que pegar navios para encontra-se e, mesmo assim, não desistiram. Passam horas olhando aquele menino, que é um pouco de cada um deles. Tem o sorriso sincero do pai e o olhar maroto na mãe. Às vezes calmo, às vezes agitado. Ela conta história de sua terra, de seus antepassados. Ele, do que viveu na juventude. Misturam os idiomas e riem muito com isso. São uma família. Saem aos domingos frios passear no parque, que tem uma grama verde imensa. Levam suco de maracujá e bolo de chocolate para comer debaixo da árvore, sentados numa grande toalha vermelha e branca. Ela nem sabe se ele gosta de cachorros ou gatos, mas sonha com um bichano correndo pelas escadas. A casa deles é linda e tem uma varanda com cadeiras confortáveis. A vista é para o rio, que corre lá em baixo. A lua, agora menos amarela que antes, reflete na água e brilha.



Escrito por Elaine Javorski às 16h39
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Ah... Se você soubesse que aquela música nunca deixou de tocar e ecoar em minha cabeça. Que nunca esqueci o que você falou. Apesar de, às vezes, andar perdida, guardei bem tudo que aconteceu. Todos os gestos. E hoje já não é mais questão de decidir pois tudo mudou. As escolhas estão mais difíceis de se fazer. Fico esperando mais palavras, sobre as quais não tenho nenhum direito. Queria ouvir só pra ficar feliz, ainda que não fossem tão verdadeiras. Fico buscando-as em outras bocas, girando em torno de mim mesma. Se você soubesse que agora as certezas ficaram mais claras depois daquela névoa que trouxe o passado. Que eu entendo o que você dizia e que agora faço meus os teus argumentos antigos. Nesse momento, difícil, penso demais no que queria que você soubesse. Mas só posso dizer palavras aladas. Não tenho como enraizar esses pensamentos. Porque eles andam por aí, num labirinto de pessoas. Se eles encontrarem a saída, tenho certeza, que será diretamente para dentro do teu coração.

"Se você quiser alguém pra ser só seu é só não se esquecer: estarei aqui" - Renato Russo



Escrito por Elaine Javorski às 19h14
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Não posso com o tempo...

Quero que o tempo voe. Quero saber que planos devo fazer. Quero estar perto. Quero pensar no setembro, no janeiro. Quero ir, quero vir. Quero os sabores, os cheiros. Quero ver com meus próprios olhos. Quero que o coração decida.

Tudo que antes nunca fazia a menor falta agora é tudo que eu quero na vida.



Escrito por Elaine Javorski às 23h04
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Aquela garrafa de champagne continua fechada. Está fria o suficiente mas continua esperando um momento especial. Muitas vezes cheguei a pensar que aquele era o momento. E, por algum motivo, ela continuava tampada. As taças já estiveram em cima da mesa. Mas outra coisas aconteceram. A porta abria e fechava. A campainha tocava todas as noites. Nunca era a pessoa certa. Foram alguns desabafos, algumas confissões, alguns sorrisos. Nada que pudesse ser comemorado com as borbulhas daquela garrafa. Ela continua fechada. Esperando pela hora oportuna de tocar os lábios que a mereçam.



Escrito por Elaine Javorski às 11h19
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Mais uma história...

Um silêncio, depois um choro, por fim, palavras murmuradas. Apesar de você achar que o problema é o passado, que vive a nos assombrar, eu tenho certeza que não é assim. Se existe algum problema, ele existe agora, na repetição de erros anteriores. Aquela aproximação interessada, a sedução de sempre. Todos esses longos anos foram assim. E é bem provável que ainda sejam por outros tantos. A pergunta entalada é sempre a mesma e sai sempre em forma de desespero, ainda que já não tenha nenhuma importância pra mim. Mas tudo volta quando esses malditos olhares se encontram. Não sei quando haverá entendimento e nem sei se isso é possível. Só queria que essa dúvida caísse por terra de uma vez por todas. Que você se desse a chance de saber porque isso nunca tem fim. Como fazer isso? Também não sei. Mas tentar descobrir já seria um grande passo.

(escrito há alguns anos... mas ainda um texto vivo)



Escrito por Elaine Javorski às 21h36
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Que falta faz o que está longe...

Quantas vezes já escrevi aqui sobre a saudade, a imensa saudade, que eu tinha do meu país, da minha cidade, dos amigos e da família. Pois é... Continuo sofrendo do mal da saudade, só que dessa vez, de um outro ângulo.

Saudade de passar as noites no miradouro em Lisboa, depois de sair de um bar do Bairro Alto. Saudade de caminhar pelas ruas à noite, com aquele "olho na nuca", como aqui, mas com mais tranquilidade porque todo mundo anda à pé. Saudade de não ter carro, não ter que procurar vaga pra estacionar, andar de ônibus por toda parte. Saudade de andar de bicicleta por Barcelona, com o vento na cara, o cabelo solto esvoaçando. Saudade de ter mais tempo pra ler, pra ir ao cinema, pra ficar olhando o Mediterrâneo ou o Tejo. Saudade de ver gente diferente, com sotaques e idiomas estranhos, em cada rua da Rambla, do Hyde Park ou do Chiado. Saudade, saudade, saudade. O que me conforta é saber que se sinto essa saudade é sinal de que fui feliz. Por isso, também sinto o mesmo quando não estou aqui. É a dor de conhecer muitas coisas: a nostalgia que fica depois.



Escrito por Elaine Javorski às 14h58
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Foi profundo e superficial ao mesmo tempo. Visto de perto, havia aconchego e entrega. Visto de longe, não havia mais que pequenos atos de carinho. Tanto é assim que já não existe mais. Nem preocupação, nem saudade, nem aquela antiga necessidade de estar perto. Estamos juntos e não nos vemos. Só ficaram as palavras ditas. Que agora parecem ter sido em vão.



Escrito por Elaine Javorski às 22h58
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Talvez não haja nenhuma resposta. É provável que isso não seja insano. São palavras soltas que dizem muito.

Talvez não valha a pena pensar sobre isso. É provável que seja só a voz do coração. Um grito guardado há anos.

Onde estávamos? Por que deixamos isso passar? Tudo isso faz algum sentido?

Pode ser que sim. Pode ser que não.

Montserrat - Espanha



Escrito por Elaine Javorski às 21h45
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"È inutile porsi altre domande.... nella sigaretta che non è più una Marlboro ma una Lucky Strike silver, nella barba che più o meno è sempre la stessa, nel vecchio vizio di gironzolare senza sosta per la casa, nella luce fioca del salotto di Genova, non c'è una risposta... è forse davvero il momento di scrollarsi i dubbi di dosso, il momento di rinunciare a quella vecchia sensazione di insicurezza che ci portava a informarsi prima di tutto dei diritti di recesso, non c'è più spazio non c'è più voglia di tutto questo... forse semplicememente ci vuole quel piccolo salto della fede, ci vuole un guardarsi in faccia e riconoscersi per quello che si è sempre stati, e in cui non ci siamo mai voluti riconoscere... ci vorrà forse un pizzico di razionalità in tutto questo? e se fosse? sarebbe davvero così grave?"



Escrito por Elaine Javorski às 21h13
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As noites de verão chegando ao fim. Sento-me na varanda para aproveitar a brisa e escuto a sinfonia das cigarras e dos grilos. Lembro da lua cheia refletindo no mar Mediterrâneo, no Adriático, no Atlântico, no Cantábrico... Olho a escuridão da noite e penso que a vida é mesmo uma dádiva. E, ainda que haja problemas, é preciso encarar o mundo com grandeza. Respirar fundo, enfrentar os desafios, não esquecer do que nos faz bem (mesmo que isso só possa ser resgatado na memória). Encantar-se com as pequenas coisas, fascinar-se com os detalhes, é uma forma de viver feliz. Aproveitar o hoje até que ele se transforme, vagarosamente, em amanhã.



Escrito por Elaine Javorski às 22h52
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MÚSICA PARA OUVIR HOJE E FALAR POR MIM.



Escrito por Elaine Javorski às 01h55
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Poderia ter sido mais um domingo comum como tantos outros. Mas hoje, o céu estava mais azul. Da janela do meu quarto, via a cidade mais colorida. Me dei conta de coisas que nunca havia reparado. Até os pássaros assoviavam com mais vivacidade. As nuvens se harmonizavam com a paisagem verde ao longe, pintando uma obra de arte perfeita. Pulei da cama como se o mundo me esperasse mesmo lá fora. Senti a água caindo em meu corpo ao mesmo tempo em que o frescor do vento entrava pela janela. Não senti preguiça. Ao contrário, me vi disposta a começar a vida que parecia, às vezes, não fazer sentido. Há sentido. Todo sentido do mundo. Saber que o mundo pode ser pequeno mesmo que haja distâncias, oceanos, imensos desertos. A lembrança aproxima. E hoje sei que nunca estivemos separados. Porque as almas convivem em outro espaço. E as nossas brincaram juntas esse tempo todo em jardins de girassóis.



Escrito por Elaine Javorski às 17h32
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Há pouco tempo os amantes da boa música, da boa cerveja e do bom papo se reuniam num bar da cidade. Quem era de papo sentava, quem era de festa ficava em pé dançando. De repente o bar virou local super frequentado e não dá pra respirar lá dentro. O texto abaixo é sobre isso. É um pouco longo, mas explica exatamente de que estou falando.

Bar ruim é lindo, bicho.

Por Antonio Prata

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história.


Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. "Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha.

Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil.
Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.

Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas.
Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.

Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider.
Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico.
E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo.

Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae.
Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo.

Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).
- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?



Escrito por Elaine Javorski às 19h18
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Meu poema da semana:

Um amor não é feito só de sentimentos, e nem só de planos, e nem só de atos heróicos, e nem só de ações. Um amor, quando é bem grande, fica tão grande que precisa se tornar presente, precisa ser expressado e concretizado. Talvez porque todo amor, mesmo novinho, mesmo cheio de esperança de durar, sabe que é frágil e que pode acabar antes mesmo de conseguir renovar-se. E precisa deixar muitos sinais, muitas marcas para ser lembrado. Porque o sonho de todo amor, se não puder ser eterno, é ser assim: inesquecível.

Vinicius de Moraes



Escrito por Elaine Javorski às 00h29
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"Se o corpo ausenta, que pelo menos nossas mentes estejam juntas"

 

Deitar no tapete e gastar todas as horas do dia (ou da noite) em olhares profundos que diziam muito mais que as mais poéticas palavras. Intemináveis conversas sobre o inexplicável, com versões pra tudo. Abraços apertados e, de tão apertados, suspirados. Descobrir uma música que nunca termina e quando termina, ainda assim continua. Escutar o último acorde da banda, encontrar piada com o nome da cerveja, rir do cara que observa uma mulher. Olhar minuciosamente as prateleiras dos livros e não levar nada, mas aprender de tudo. Sentir saudade ainda perto, pensar no próximo feriado ou no próximo emprego. Misturar lágrimas com sorrisos. Vestir traje de gala, ou mais ou menos isso, pra ser feliz. Porque o instante pode acabar. Mas jamais ser esquecido.



Escrito por Elaine Javorski às 02h15
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Será que pode ficar claro?

Nem sempre as palavras falam de vc ou de mim.

A vida não é meu umbigo, muito menos o seu.

Há mais do que lamentos nesses escritos.

Há um cotidiano de quem observa o mundo.



Escrito por Elaine Javorski às 01h57
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Como eu poderia ficar calada sem tentar provar minhas absurdas teorias? Aquela voz, longe, distante, me perguntava. Eu tinha que responder. Menti. Ou melhor, pensava eu que havia mentido. Tudo estava muito confuso para delimitar as verdades das palavras soltas. Parece mesmo um jogo. De um lado para o outro corro atrás de algo que não alcanço. Bato com a cabeça nos cantos. Giro, atordôo, caio. Está bem, também tento buscar a solução de tudo isso. Eu volta e meia a encontro. Mas ela some no rosto de pessoas que se tornam estranhas pra mim. Talvez lá, banhada pelas águas do Mediterrâneo, seja mais fácil achar as respostas. O tempo tem outra contagem. Mais fácil é levar a vida de viajante. Partidas e chegadas.



Escrito por Elaine Javorski às 17h52
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Foram escolhas. Certas, erradas... Não sei. Nem nunca vou saber.

Lustres que atravessaram oceano, pratos que se quebraram no caminho, amores depredados.

Amigos: velhos, novos e muitos. Que fazem falta. Toda a falta do mundo.

Álcool evaporado nos quilômetros rodados. Postes que se apagavam no nascer do dia.

Um monte de fotos, de festas, de fatos. Todos sem nenhum sentido.

A embriaguez dos olhares fixos, cor caramelo, pequeninos.

Que coisa triste é não ter pra quem voltar.



Escrito por Elaine Javorski às 01h17
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Ah, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora...
Ai, que amar é se ir morrendo
Pela vida afora
É refletir na lágrima
O momento breve
De uma estrela pura
cuja luz morreu

Numa noite escura
Triste como eu...

do Poetinha (Serenata do Adeus)



Escrito por Elaine Javorski às 01h57
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Com um adeus

 

 

Tão pouco tempo para dizer qualquer coisa. Tanta coisa por ser dita. Tantas palavras para não dizer nada. Nenhum ditado para refletir o tempo. Só um reflexo do que passou.

 

 

 

É. São as peças que a vida prega. Essa ovelha desgarrada. Essa garota-problema.

Aqui, entalado um não sei. Que me escapa. Ainda que eu saiba que sim, sei.

Palavras do impulso pensado e repensado. Que queria se tornar verdade, mas não era.

A perda, a dor, os dias passados. Tudo embalado pra presente nos lençóis loucos, loucos.

A falta do acontecer, do ser, do merecer. A velha desculpa da oportunidade perdida.

O precisar. O querer. Aquelas coisas que te agarram e te dominam.

Porque és apenas do acaso, és legítimo. Como um filme triste sem história de amor.

Não precisa pretextos, porque “eres un sol... y también la luna”.

 

Y mis ojos necesitan de ti.

 



Escrito por Elaine Javorski às 01h51
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Abaixo, minha poesia TOP5 do mês:

Cogito

Eu sou como eu sou
Pronome
Pessoal intransferível
Do homem que iniciei
Na medida do impossível

Eu sou como eu sou
Agora
Sem grandes segredos dantes
Sem novos secretos dentes
Nesta hora

Eu sou como eu sou
Presente
Desferrolhado indecente
Feito um pedaço de mim

Eu sou como eu sou
Vidente
E vivo tranqüilamente
Todas as horas do fim

Torquato Neto



Escrito por Elaine Javorski às 23h05
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Queria abracar o mundo. Tinha as mãos pequeninas mas o desejo grande. Grande demais pra caber no vazio. Pensou ser maior do que era. Mas não deu conta de carregar todos aquele livros. Nem de aguentar todo aquele ruído insuportável. Queria gritar, sair correndo pelos campos de trigo. Com a geada molhando o sapato. Sair assim, em direção ao sol. Buscando, talvez, um verão perdido. Os dias de folga passados num café qualquer, numa praça, numa conversa sem rumo. Voando em busca dos amigos frágeis que faziam parte da vida. Que delícia voltar ao sossego. Que bom seria não ter essa responsabilidade toda que tira o sono. Dormir quentinho, sem acordar mil vezes. Sonhar com a paz e o sossego de uma vida tranquila.

Escrito por Elaine Javorski às 23h04
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Essa é a paisagem q eu vejo todo dia.



Escrito por Elaine Javorski às 19h31
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Eu já andei de avião, de helicóptero, de barco, de jipe, na garupa de uma moto, quilómetros a pé.

Estive no meio do mato, na lavoura, no prédio mais moderno, na ponte mais nova.

Fiz rapel, pulei de para-quédas, desci o rio na canoa, fiquei no meio do estádio.

Chorei, ri de doer a barriga, tive dó e raiva.

Sujei os pés de lama, de tinta, de estrume, de areia.

Ganhei flores, sacos de cebola, bolachinhas, livros.

Conheci doutores, políticos, artistas, donas-de-casa, garis, mendigos.

Comi ostra, caviar, cachupa, sentei na mesa de estranhos.

Falei com japoneses, cabo-verdianos, coreanos, americanos, paulistas e ponta-grossenses.

Ví balés internacionais, capoeiras locais, sambas cariocas, folclore ucraniano.

Viajei, percebi, conquistei, constatei, interagi.

Tudo isso porque, um dia, resolvi ser jornalista.

E hoje sei como é bom ter histórias pra contar.



Escrito por Elaine Javorski às 22h06
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Alguns dias foram mágicos. Outros, escuros. Passaram pelo azul-piscina, azul-claro, azul-turqueza, azul-cobalto, azul-marinho.

C’est la vie.

Sobraram as imagens em variados tons. Na memória, elas pintam os desejos. Aquarela de uma cor só. Que constrói os dias e as noites. Que faz encontrar. Que faz perder. Procurar. Fugir.

Cor de mar, de céu, de borboleta.

Uma pintura tosca, desleixada, quase vil. Que decora as paredes do meu mundo.



Escrito por Elaine Javorski às 22h05
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Por que as pessoas querem ser jornalistas?

Outro dia eu tive conversando com um colega professor sobre isso. O salário: mil oitocentos e uns quebrados. Isso quando se consegue ganhar o piso. Uma carga horária de cinco horas mas que quase sempre chega a nove. Tudo isso se o recém-formado conseguir achar um emprego. Para chegar nesse ponto, provavelmente ele vai ter que trabalhar como escravo durante a faculdade, sem ganhar um tostão, pra ter experiência. Depois que se formar vai ter que encontrar dois empregos, ou fazer um par de bicos pra viver com, digamos, dignidade.

Enfim.

O que eu percebo? Que o jornalismo virou mais uma profissão de deslumbramento. Uma aluna do primeiro ano me disse esses dias: meu sonho é trabalhar na televisão. Devia ter dito: meu sonho é ser jornalista competente. Será que queremos ser jornalistas mesmo? Será que participar de um desses big brothers da vida já não bastaria pra botar pra fora tanta sede por uma dita “fama”?

Outro aluno, que tá quase jubilando porque trancou o curso há século, me liga e diz: “eu preciso voltar. Porque eu preciso do número do MTB pra assinar o jornal que faço”. Como é que é? Vc quer um número? Gente, comprar diploma pra ter um número é a coisa mais absurda que já ouvi. Não sei se alguma outra profissão tem o dilema que tem o jornalismo. Ninguém quer aprender nada. Querem só os malditos quatro dígitos pra sair por aí fazendo picaretagem. Porque quem quer fazer jornalismo de verdade, quer ser jornalista mesmo, quer APRENDER a ser isso. Não quer só possuir um milhar.



Escrito por Elaine Javorski às 22h25
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Eu já engoli o choro

Já dei um nó nas minhas palavras

Pra não mostrar fortaleza diante de quem está fraco

Pra não mostrar fraqueza pros que são mais fortes

Mas isso não importa hoje

Porque você, amigo, leu as angústias, os dramas, os risos

Não julgou essas tão mal escritas frases

Que tantas vezes perderam o nexo sufocadas pelo medo

Mas você fez mais

Fez lembrar dos sotaques na rua

Das fumaças das castanhas de novembro

Dos poetas, da luz, do antigo

Grata surpresa

Dessa vida que mostra que o caminho é cada vez mais curto

E a distância cada dia mais insignificante.



Escrito por Elaine Javorski às 21h40
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